Best-sellers Matérias Literárias

O preconceito em torno dos best sellers

11:41Isabela Lapa

Best Sellers são aqueles livros que conquistam um número alto público com poucos dias de publicação. Ocupam a lista dos mais vendidos, dos mais falados e dos mais desejados. Os escritores são convidados para entrevistas em jornais, rádio e televisão e inúmeras matérias sobre assuntos relacionados com a história do livro são divulgadas na imprensa. 

A verdade é que apesar desse alvoroço enorme, eles sofrem um enorme preconceito da crítica e daqueles que por hábito ou estilo costumam se dedicar aos livros clássicos e com conteúdos específicos ou diferenciados. Já vi pessoas que se consideram "elite intelectual" por não lerem os best sellers. Elas costumam dizer que "não perdem o seu tempo com livros sem conteúdo e que foram feitos para vender". 

Diante de uma afirmação como essa eu me pergunto: qual livro não foi feito para vender? Penso que se o escritor tivesse a intenção de manter a história só para ele, certamente não teria procurado uma editora para publicá-la.  

A verdade é que um livro se torna (ou não) um best seller de acordo com o incentivo financeiro que recebe para se promover na mídia. Acontece que em regra os maiores investimentos são destinados àqueles que despertarão o interesse da maior parte da sociedade. Esse preconceito existe exatamente por isso! Porque em regra, por serem acessíveis eles possuem linguagem simples, enredo repleto de reviravoltas e estratégias típicas para prender o leitor. Exemplos óbvios são os livros do escritor Dan Brown, e as famosas sagas e trilogias voltadas para o público jovem, como Harry Potter, Crepúsculo etc.





No entanto, é inegável que não existem fundamentos razoáveis para sustentar tal preconceito. Isso porque, um livro é bom ou não de acordo com aquilo que visa transmitir e com o público que quer alcançar. Um best seller tem a função de entreter, de distrair o leitor. Logo, se alcança essa finalidade, certamente pode ser considerado um bom livro.

Ruim, aos meus olhos, é aquele livro que tenta passar uma mensagem e não consegue. Porém esse critério é extremamente subjetivo. Posso citar como exemplo a trilogia Cinquenta Tons de Cinza, da escritora E.L. James. Um recorde de vendas e de mídia, um sucesso entre o público feminino e também o masculino, mas que em minha opinião não atingiu a finalidade: não vi como um romance e as tentativas infinitas e cansativas de torná-lo um livro erótico não me convenceram em razão de todos os clichês que o rodeavam, trazendo uma enorme previsibilidade às cenas e aos diálogos. Eu considerei o livro péssimo, mas não por ser um best-seller e sim porque a história não me convenceu.

Por outro lado, alguns livros que atingiram essa categoria são excelentes e se destacam pela escrita cuidadosa e inteligente. Entre os meus preferidos estão O Mundo de Sofia, de Jostein Gaarder, A Menina que Roubava Livros, de Markus Zusak e O Caçador de Pipas, de Khaled Hosseini.

Também é essencial mencionar que grande parte dos leitores desenvolveu o prazer pela leitura por meio de um best seller da sua época. O alto número de vendas e os excessivos comentários acerca do enredo despertam o interesse pelo livro e consequentemente abrem o caminho para outros. Isso sem contar aqueles que fazem referências a clássicos literários e sem querer incentivam a leitura dos mesmos. 

Outra afirmação que não é verdadeira é a de que quem se dedica a best sellers não evolui. É certo que os leitores são pessoas diferentes e por óbvio traçarão seus caminhos de formas diferenciadas. Pode ser que alguns fiquem apenas na leitura daqueles livros que recebam destaque da mídia, mas com certeza muitos irão se despertar para outros estilos. Quem sente o verdadeiro prazer pela leitura quer sempre mais. 

Alguns críticos do gênero costumam mencionar que as livrarias dão muito destaque aos best sellers e não incentivam leituras "inteligentes e de conteúdo diferenciado". Ora, uma pessoa que sai de casa com a intenção de ler um livro de Machado de Assis, Millan Kundera, ou uma grande obra de um importante filósofo não vai sair da livraria sem comprá-los para, no lugar, levar A Culpa é das Estrelas, do John Green ou Porto Seguro, do Nicholas Sparks. A escolha é feita pelo estilo do comprador, pelos seus hábitos e as suas influências, não por meio das vitrines.  

E mais: eu não gosto de livros de auto-ajuda, então simplesmente não procuro esses livros, não gasto o meu tempo procurando informações sobre eles e menos ainda observando se eles recebem ou não destaque nas livrarias. Também não me considero melhor ou pior do que o público que se dedica a esse tipo de leitura, porque independente do estilo literário, penso que o que importa é ler. Ler sempre, ler muito e ler aquilo que gosta, aquilo que dá prazer. O conceito de bom e de ruim é relativo e pessoal. Varia não só do gosto da pessoa como também da fase que cada um está vivendo.

Assim, melhor que se dedicar a preconceitos infundados é se dedicar àquilo que te satisfaz. Além disso, descobertas positivas sempre acontecem quando nos abrimos para outras possibilidades. Quem sabe você que só se dedica à literatura clássica e que transmite inúmeros conhecimentos não terá momentos de prazer e diversão lendo os romances leves da Cecelia Ahern ou os suspenses policiais repletos de mistérios e reviravoltas do famoso Harlan Coben? Para descobrir, só se permitindo! 


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6 comentários

  1. Eu leio sem problemas, mas muito poucos me interessam comprar pq a verdade é que os best sellers estão a cada dia pior. 50 tons tá aí p provar isso. P mim alguns best sellers estão para a literatura como o funk carioca está para a música. Com o tempo a gente fica seletivo e não aceita qualquer coisa.
    A raiva que tenho deles é que enquanto há gente incrível escrevendo livros incríveis, algumas publicações pobres e mal feitas são colocadas em um pedestal como o melhor livro do mundo. Não me parece justo.

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    1. Aline, entendo sua opinião, mas como eu disse no post, acho que isso está relacionado ao gosto da pessoa e ao que ela busca no livro, não é mesmo?

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  2. É complicado... Eu leio best seller, mas não pq eles vendem muito ou coisas do tipo... Na verdade, HP e Crepúsculo, eu li um pouco antes de eu descobrir que fazia tanto sucesso ahahha! Mas eu sempre tento não ter esse preconceito... 50 tons eu nao li pq nao faz meu estilo, e Rick Riordan até li mas não compraria... Concordo com você, não tem que haver preconceito de nenhum lado, porque isso so faz com que as pessoas deixem de ler livros ótimos por causa de rótulos!
    Ótima postagem! =D

    http://falaurupes.blogspot.com.br/

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    1. Lígia, que bom que gostou! Obrigada por participar e deixar a sua opinião.
      Bjs

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  3. Generalizar é mesmo um erro. Não gostar de Best Sellers é mesmo generalizar,assim como não gostar de livros de auto ajuda também.
    Uma dica, não minha, mas que acho importante é que não podemos esquecer de ler grandes clássicos do passado, por serem mais livres de toda esse intuito de comercialização.

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  4. Generalizar é mesmo um erro. Não gostar de Best Sellers é generalizar, assim como não gostar de livros de auto-ajuda. Uma dica, não minha, mas que acho importante é que não devemos deixar de ler clássicos do passado, por serem construídos com menos intuito comercial.

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