Crítica Editora Pedra Azul

Evelina, de Frances Burney

13:32Universo dos Leitores



Hoje vou falar sobre este grande sucesso publicado pela Pedrazul Editora: o belíssimo Evelina, de Frances Burney- escritora conhecida por inspirar nada mais nada menos que Jane Austen.



Evelina é um romance epistolar, ou seja narrado por meio de cartas. Essa característica aproxima o leitor da protagonista já que o tom intimista das cartas nos familiariza rapidamente com a personagem.

A história narrada é a de Evelina, a filha não reconhecida de um aristocrata, criada pelo reverendo Arthur Villars. A jovem de trato gentil e delicado tem uma vida pacata sob a proteção do tutor. Este cenário faz com que Evelina preserve sua inocência e inexperiência. 

Prestes a completar 18 anos, ela é convidada para uma visita a Londres, por uma família de amigos para conhecer a sociedade aristocrata da época, aumentando assim seu círculo social e sua convivência com outras pessoas. Seu tutor permite a viagem e Evelina segue em direção a uma vida bem diferente da sua.

Isto porque sua chegada é marcada pela curiosidade de todos, o que faz com que ela se torne o centro das atenções. Criada no interior e longe da proteção do reverendo Villars, Evelina, que desconhece os costumes e toda a formalidade da sociedade burguesa se comporta de forma espontânea e ingenuamente comete uma série de gafes que fazem dela um alvo negativo. 




















Sua apresentação à tradicional e restrita alta sociedade londrina não é vista com bons olhos: sua beleza e sua origem desconhecida inflamam olhares e despertam comentários maldosos dos convidados, principalmente depois da postura inocente e espontânea.

Apesar de embaraçosa, a conduta de Evelina dá o tom cômico do livro, ainda que a simplicidade do comportamento da jovem seja alvo de comentários um tanto quanto maldosos. A partir daí a história é tomada por uma série de acontecimentos que levarão a protagonista a uma maturidade quase forçada, por mais que ela preserve a doçura do começo da história. Ela é alvo de cobiça, se envolve em um romance, mas amadurece e nos diverte com seu jeito tão doce e espontâneo, deixando a história leve.
















Minhas Impressões:

Evelina é uma personagem encantadora: doce, gentil, divertida, e a história é simplesmente apaixonante. A narrativa é bem construída e o formato epistolar proporciona uma certa intimidade com os personagens, além de um grande envolvimento com a história. 

Alvo de interesses, Evelina preserva seu comportamento delicado e nos proporciona cenas inusitadas ao longo do livro. Assim como nas obras de Austen, temos doses de humor, mas Burney utiliza o recurso de uma forma um pouco diferente. Enquanto Austen utiliza o humor com muita sutileza e de forma crítica, Burney da um toque mais objetivo nas cenas de comédia. Algumas cenas e personagens são quase alegóricos e Evelina é exposta a diversas situações inusitadas.

A história tem os traços de um "romance de formação", ou seja, podemos acompanhar desde o começo o desenvolvimento físico, ético e psíquico de Evelina, ainda que ela tenha preservado sua essência e sua generosidade.

Adorei a edição super caprichada da editora Pedra Azul, com um cuidados como a embalagem do livro, à escolha das páginas, a seleção de ilustrações originais e a diagramação que proporciona uma leitura bastante agradável.

Confesso que adorei a história e mesmo sendo suspeita para comentar (já que sou fã de romances de época), posso garantir que Evelina é uma uma história especial que certamente me levará a conhecer outros trabalhos de Frances Burney!

Sobre a Autora:

Frances ‘Fanny’ Burney (1752-1840) foi uma das romancistas inglesas mais populares do final do século XVIII. Precursora de romances que retratam a simples vida doméstica, Burney teve forte influência sobre Jane Austen, Maria Edgeworth e William Thackeray. Seu talento para contar histórias, sua capacidade, sua abundância de personagens, somente foram superados por Charles Dickens. Ela também foi uma importante diarista e cronista dos costumes ingleses sobre moral e sociedade. Filha de Charles Burney, um ilustre historiador da música, a autora se tornou popular com a publicação de ‘Evelina’. Embora ela tivesse começado a compor a obra em 1767, somente a publicou em 1778, de forma anônima. Burney também publicou outros romances: Cecilia ou Memórias de Uma Herdeira, em 1782, e Camilla ou Um Retrato da Juventude, em 1796, ambos citados por Jane Austen em A Abadia de Northanger. Burney também conviveu na corte inglesa e no período de 1787 a 1791 atuou como guarda das vestes da rainha Charlotte. Em 1793, ela se casou com o general d'Arblay, um refugiado francês, com quem viveu na França de 1802 a 1812.

A História de Uma Capa

Muita gente compra um livro pela capa, mas nem todas as capas são obras de artes. A capa da edição brasileira de “Evelina”, da autora inglesa que inspirou Jane Austen, Frances Burney, conhecida também como Fanny Burney, clássico lançado pela Pedrazul Editora agora em julho, tem muita História. A obra “Evelina” foi lançada em Londres pela primeira vez, em 1778, de forma anônima. Mas Burney era amiga de um grande e importante pintor da época chamado John Hoppner (1758-1810). O artista, que sabia quem era a verdadeira autora do livro que fez um sucesso retumbante, apaixonou-se pela heroína e resolveu presentear a autora. Para isso Hoppner saiu à procura de uma desconhecida que fosse tão bela quanto à sua Evelina, encontrando-a fez a pintura que hoje é a capa da edição da Pedrazul. Chamada “Retrato de uma Senhora como Evelina”, a obra de 1780 complementa com uma belíssima obra de arte o clássico Inglês que eternizou a autora.


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