A Cidade do Sol Khaled Hosseini

A Cidade do Sol, de Khaled Hosseini

13:39Kellen Pavão


Sinopse 


Mariam tem 33 anos. Sua mãe morreu quando ela tinha 15 anos e Jalil, o homem que deveria ser seu pai, a deu em casamento a Rashid, um sapateiro de 45 anos. Ela sempre soube que seu destino era servir seu marido e dar-lhe muitos filhos. Mas as pessoas não controlam seus destinos. Laila tem 14 anos. É filha de um professor que sempre lhe diz: "Você pode ser tudo o que quiser." Ela vai à escola todos os dias, é considerada uma das melhores alunas do colégio e sempre soube que seu destino era muito maior do que casar e ter filhos. Mas as pessoas não controlam seus destinos. Confrontadas pela história, o que parecia impossível acontece: Mariam e Laila se encontram, absolutamente sós. E a partir desse momento, embora a história continue a decidir os destinos, uma outra história começa a ser contada, aquela que ensina que todos nós fazemos parte do "todo humano", somos iguais na diferença, com nossos pensamentos, sentimentos e mistérios.

Nossas Impressões:


Após o sucesso de "O Caçador de Pipas" Khaled Hosseini trouxe à tona o best-seller "A Cidade do Sol", um  novo romance que retrata como a vida no Afeganistão nas últimas quatro décadas. A história, protagonizada por Mariam e Laila,  revela as dificuldades de ser uma mulher no Afeganistão e retrata toda a opressão, violência, preconceito e humilhação a que as personagens são submetidas conforme a "cultura" do país.

Diferentemente do livro "O Caçador de Pipas" que aborda uma história masculina sobre amizade, A Cidade do Sol mostra o universo sofrido de muitas mulheres do Afeganistão. O livro retrata vidas de  mulheres diferentes, mas que sofrem todas as penalidades que uma sociedade machista e opressora pode impor. 

Mariam, que cresceu tendo que lidar com a rejeição do pai e com as verdades duras e cruéis ditas por sua mãe se casou com um viúvo amargurado, que ao perceber sua inferlitilidade começou a que hostilizá-la. Os maus tratos foram se intensificando e o sofrimento de Mariam foi reduzindo sua carinho pelo esposo, que a princípio era amável e antencioso.

Laila, a outra personagem central desta história é uma adolescente cheia de sonhos que viu sua vida desmoronar ao perder sua família em um bombardeio. A jovem se viu perdida, grávida do namorado adolescente exilado e orfã, o que acabou motivando Mariam e Rashid a abrigá-la. A partir daí, Laila se torna a segunda de Rashid, que o convenceu acerca da  paternidade de seu bebê.  E é a partir desse momento que as duas mulheres terão suas vidas entrelaçadas.

Por meio de uma aliança para cuidar de Aziza, a filha que Rashid acreditava ser sua (deprezada por ser uma menina),  as esposas de Rashid se unem e descobrem uma força que desconheciam. 

As páginas de Khaled Hosseini são recheadas de emoção em uma leitura fluida e muito agradável. Assim como em "O Caçador de Pipas", Hosseini nos emociona e traz à tona todos os tipos de sentimento. Todas as injustiças, humilhaçoes e toda a opressão que marca as mulheres nascidas na cultura machista do Afeganistão nos comovem e nos fazem refletir sobre como é ser uma mulher neste país.

O interessante, é que autor ainda consegue trazer alegria, esperança, e mostrar a força dessas mulheres em meio a este cenário de tortura e repressão. Ouso dizer que "A Cidade do Sol" consegue superar seu antecessor, sendo ainda mais comovente.

"A Cidade do Sol" é um livro maravilhoso e quem gostou de "O Caçador de Pipas" não pode perder a oportunidade de lê-lo. Impossível não se comover com a história e com a força dessas mulheres!

Trechos do Livro:

"No verão, Cabul foi tomada pela febre do Titanic. As pessoas contrabandeavam cópias piratas do filme do Paquistão. Depois do toque de recolher, todos trancavam as casas, apagavam as luzes, baixavam ao máximo o volume das televisões e voltavam a chorar por Jack, Rose e os demais passageiros do navio que naufragou. (...) Vendedores desciam ao leito ressecado do rio Cabul. Em pouco tempo, era possível comprar ali tapetes e roupas Titanic, que enchiam carrinhos de mão. Havia desodorante Titanic, pasta de dentes Titanic, perfume Titanic e até uma burca Titanic."  

"Com o passar do tempo, foi aos poucos se cansando desse exercício. Começou a achar cada vez mais exaustivas essas tentativas de evocar, de desenterrar, de ressuscitar mais uma vez o que há muito tinha morrido. Na verdade, anos mais tarde, chegaria o dia em que Laila não choraria mais por essa perda. Ao menos, não tanto, não tão constatemente. Chegaria o dia em que os detalhes daquele rosto começariam a escapar às garras da memória."

"Só há uma coisa na vida que precisamos aprender, e ninguém ensina isso nas escolas. A capacidade de suportar."

"As palavras são só palavras, e nunca ouvi dizer que em um coração magoado fosse possível se penetrar pelo ouvido.

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