Crítica Editora Zahar

Globalização: as consequências humanas, de Zygmunt Bauman

00:00Universo dos Leitores


“Este livro é uma tentativa de mostrar que no fenômeno da globalização há mais coisas do que pode o olho apreender;” e, meus amigos, quantas coisas há para serem entendidas e apreendidas a respeito da globalização. 



Esqueça as histórias sempre contadas a respeito da globalização, no livro “Globalização: as consequências humanas”, Zygmunt Bauman expõe minuciosamente as consequências da globalização no nosso tempo.

Ao longo do livro, Bauman traça a evolução da sociedade até chegarmos ao momento atual, começando por demonstrar como as elites globais se libertaram das limitações territoriais – agora os donos do poder podem escolher o melhor lugar para colocar seu tempo e dinheiro – passando pelo reordenamento do espaço urbano das cidades, o que as tornou verdadeiras prisões que garantem a estratificação social, sem deixar de enfrentar o problema da perda da soberania dos Estados frente à globalização da tomada de decisão dos detentores do poder econômico, o que gera enormes consequências sócio-culturais em todos, visto que ficar parado torna-se sinônimo de fracasso, mais ainda, torna-se sinônimo de vagabundagem, sendo considerado “vagabundo” aquele que não pode consumir, com um detalhe: quem não pode consumir tem o forte desejo de fazê-lo, diferente dos “turistas” que, ao final, são tão presos a sua situação quanto os “vagabundos” porem podendo consumir a seu bel prazer, esta imposição de cultura faz com que estes dois sujeitos (turistas e vagabundos) tornem-se adversários e exemplos do que cada um pode ser, em um caso para incentivar a continuar a desejar o consumo, no outro para lembrar que, apesar das perdas, o estilo de vida que se leva pode piorar. Termina o livro por analisar o papel repressor da sociedade globalizada que não consegue ver no outro um sujeito de direitos mas um ser desviante da norma padrão aceita e incentivada e que, por esta conduta desviante, deve ser apartado da convivência social.

Confesso que ao ler o livro comecei a ver a cidade de forma diferente (Belo Horizonte, como as cidades estudadas no capitulo dois, também foi projetada, e não posso deixar de lembrar que ela foi projetada para deixar dentro dos limites da Avenida do Contorno a florescente elite mineira e fora destes limites os descendentes de escravos, imigrantes e demais trabalhadores) pois percebo a construção dela como uma forma de aprisionar, mais do que o corpo, a mente dos moradores. Calma! As cidades não fazem parte de uma conspiração para garantir a uma sociedade secreta o domínio do mundo, elas servem apenas como meio irradiador do padrão de pensamento que garante a todos o desejo de consumir e se libertar da imobilidade asfixiante. 

A globalização verdadeira foi mesmo a do capital, os donos deste capital não precisam se mover, mas se ficam parados o fazem por escolha própria, diferente daqueles que não podem escolher se mover e nem ficar parado por se sentirem incomodados pela imobilidade ou serem obrigados a saírem do lugar onde gostariam de ficar. O livro foi publicado em 1999, no Brasil, pela editora Zahar™ e, ainda assim, se mantém atual por apontar problemas corriqueiros do planeta (em determinado momento o autor fala do problema dos migrantes no mundo e parece que ele tirou esta parte direto do noticiário mais recente da TV).

Apesar de profundo e carregado de informações, não é um livro de leitura difícil, aliás, o estilo de Bauman, por ser direto, beneficia quem procura informação com qualidade, com embasamento e de fácil compreensão. O livro possui apenas 145 paginas e vale a pena ser devorado, entendido e usado como forma de capacitação na luta diária em busca de autenticidade pessoal contra a imposição da norma de comportamento usual. Chega a ser um grito contra a falta de entendimento sobre as consequências para o individuo e para a vida social da globalização, embora o autor afirme que seu livro não pretende ser uma “declaração política” mas sim um inicio de discussão a discussão embasada pelo livro rende boas reflexões.


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*Este livro foi enviado como cortesia pela Editora Zahar.


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