A cor púrpura Alice Walker

A cor púrpura, de Alice Walker

00:00Isabela Lapa

Querido Deus. Uma mulher negra anda pela rua e as pessoas puxam seu cabelo e a xingam, pelo simples fato de seu cabelo ser cabelo, naturalmente crescido. Estamos no século XXI, quando supostamente as pessoas seriam esclarecidas e os direitos básicos do ser humano seriam respeitados.

"Todo mundo quer ser amado. A gente canta e dança, faz careta e dá buquê de rosa, tentando ser amado. Você já reparou que as árvore fazem tudo que a gente faz pra chamar atenção, menos andar?"

Querido Deus. Não sei como apresentar a personagem principal desse livro. Celie, menina negra, abusada pelo pai, marido e pela sociedade, cujo único “pecado” foi nascer mulher, narra essa história através de cartas. Nas palavras, escritas de maneira informal, vivenciamos o drama de tantas mulheres que, impotentes e passivas, apenas rezam a Deus por estarem vivas, mesmo que machucadas pelas mãos de seus maridos, mesmo que massacradas por uma sociedade machista e opressora.

Querido Deus. Apesar de distante no espaço e no tempo, a narrativa de machismos e opressão à mulher não deixa de ser atual. Mascarada pelo politicamente correto, a atitude de superioridade de homens, de marginalização de mulheres e de agressões de todo tipo continuam a ser relatos de todos os dias. Celie, em sua simploriedade, inicia todas as suas cartas com “Querido Deus”, roga aquele que ela acredita estar sempre a seu lado. Me pergunto a quem roga as mulheres de hoje em dia...

"Por que você é teimosa? Ele num pergunta por que que você é mulher dele? Ninguém pergunta isso.
Eu falo, Eu nasci assim, eu acho.
Ele bate em mim como bate nas criança. Só que nas criança ele nunca bete muito forte. Ele fala, Celie, pega o cinto. As criança ficam lá fora olhando pelas fresta. Tudo o queu posso fazer é num gritar. Eu fico que nem tábua. Eu falo pra mim mesma, Celie, você é uma árvore. É por isso queu sei que as árvore têm medo dos homem."


Querido Deus…

O que é ser livre? Imersa em um mundo machista e preconceituoso, Celie vê desvelar um mundo totalmente novo e ao mesmo tempo tão igual através dos relatos epistolares de sua irmã, Nettie.. Celie se admira com a liberdade de Netie e de Shug Avery, a grande paixão e amante do Sinhô___ (seu marido). Mas como podem ser livres mulheres presas a visão machista de mundo?

O que é ser feliz? Possuir algum sentimento já é algo novo, para quem desde de jovem nunca teve oportunidade de sentir-se. Para Celie, ter um dia normal sem ser agredida fisicamente… o que mais uma mulher poderia sonhar?

"Todas as mulher num são igual, Tobias, ela fala. Acredite ou não.
Ah, eu acredito, ele fala. Só num posso provar pro mundo.
É a primeira vez queu penso no mundo.
O que o mundo tem a ver com as coisa, eu penso. Aí eu vejo eu mesma sentada ali custurando entre Shug Avery e Sinhô ___. (...) Pela primeira vez na vida, eu sinto que tô no meu lugar."

Com certeza uma leitura contagiante, repleta de tristezas com algumas pitadas de felicidade. Não é dor o que Celie sente, é nada, é a indiferença em si mesma. Mas ainda assim, Celie é mulher, negra, abusada… mas mulher!
 

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