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Como começar a ler filosofia?

10:00Fernando Ruiz Rosario


Ei pessoal, tudo bem? 

Possuir formação em filosofia é algo peculiar e que desperta muito interesse nas pessoas, afinal, não é a escolha óbvia para a maioria delas (talvez pelo baixo apelo econômico, não é mesmo?). A maioria das pessoas interessantes que eu conheço dizem algo como “Filosofia era a minha segunda opção no vestibular” ou “Ainda pretendo fazer uma graduação em Filosofia”. Acreditem em mim, a escolha mais sensata é não escolher esta área como primeira opção!

Mas, escolhas sensatas ou não à parte, fato é que muitas pessoas se interessam, em algum momento da vida, por ler alguma obra filosófica por conta própria. E não raro, essa tentativa se reduz a apenas uma tentativa e pessoa simplesmente abandona a filosofia, alegando ser algo muito difícil, complicado, e que apenas pessoas loucas se prestam a fazer esse tipo de coisa.

Se você é uma dessas pessoas, tenho quase certeza que escolheu algum diálogo de Platão, como a República ou o Banquete (desses que estão disponíveis na coleção Os Pensadores), ou alguma obra de Nietzsche. Um erro comum é pensar que basta pegarmos um livro qualquer da área, desses que são vendidos promocionalmente em bancas de revista, e começar a ler.

Outra abordagem é tentar fazer uma leitura na sequência história, buscando textos de filósofos gregos e  traçando uma estratégia cronológica de leitura. Tal empreitada, normalmente, se baseia exclusivamente em livros de grandes filósofos.

Meu conselho: abandone essas estratégias! Essas estratégias tendem a não funcionar por considerarem a complexidade de textos filosóficos, muitos deles disponíveis em português em traduções duvidosas e, mesmo aqueles traduzidos de maneira primorosa, ainda escodem chaves de leitura não tão claras. 

Basicamente, o que as estratégias acima fazem com o aspirante a filosofia é entregar-lhes um livro de cálculo avançado para alguém que sequer sabe matemática elementar! Se apenas alguma dessas estratégias funcionou para você, parabéns, mas tenho certeza que você, em algum momento, utilizou-se de alguma das dicas que darei.

A primeira dica que dou é fazer uma introdução ao autor ou tema antes, durante ou depois de ler a obra. Compreender aspectos históricos e biográficos é interessante, porém, uma obra filosófica requer mais que isso. Existem diálogos, conexões e críticas que nem sempre estão explícitas. O uso do vocabulário também pode ser um dificultador, já que certos termos são bastante técnicos. Para auxiliar nessa introdução, eu costumo utilizar:


  • Dicionários de filosofia: sim, existem dicionários de filosofia! Diferente do tradicional, que fornece uma explicação sobre um termo, o dicionário de filosofia contextualiza um tema, um termo ou um autor dentro da tradição filosófica. O dicionário que eu uso e recomento é o do filósofo italiano Nicola Abbagnano.
  • Enciclopédias: dicionários de filosofia já possuem um ar enciclopédico, porém, não as enciclopédias são mais completas. Se você torceu o nariz, pensando que eu sugeriria a você resgatar sua Barça do porão, está enganado. A melhor enciclopédia que conheço na área, atualmente, é totalmente gratuita e está na web, trata-se da Stanford Encyclopedia of Philosophy <https://plato.stanford.edu/>, um excelente trabalho escrito por filósofos das mais diversas áreas. Se você tem dificuldades com o inglês, em português não temos nada parecido, mas posso indicar Crítica na Rede <https://criticanarede.com/indice.html>, um blog sobre filosofia mantido pelo Prof. Desidério Murcho, filósofo português radicado no Brasil, ao qual recorri diversas vezes ainda no início de meus estudos. No link disponibilizei a página do índice, pois auxilia na busca por temas específicos.
  • Livros introdutórios: existem diversas obras que pretendem introduzir o leitor em algum autor ou tema. Por exemplo, é impensável iniciar a leitura das Meditações ou do Discurso do Método de Descartes sem ter em mãos a obra Descartes: a metafísica da modernidade, do prof. Franklin Leopoldo e Silva. Algumas editoras organizam coleções, com livros escritos por autores especialistas na área e que servem de guia. É o caso da série Compreender da Vozes e da coleção Leituras Filosóficas da Loyola.
  • História da filosofia: existem diversas opções no mercado, sendo que cada autor aborda aspectos diferentes sobre a história da filosofia. Para fins de pesquisa, indico a História da Filosofia dos italianos Darío Antíseri e Giovanni Reale, publicada no Brasil pela Editora Paulus (vale ressaltar que esta obra peca ao não referenciar suas citações). Se a ideia é apenas uma leitura mais leve, me divirto lendo a História da Filosofia Ocidental, de Bertrand Russel.


Bom, por hoje essas são minhas dicas, espero que tenham gostado. Mas e ai, você se interessa por filosofia? Que tipo de dúvida que possui? Escreva aqui nos comentários!

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4 comentários

  1. Sou estudioso amador de filosofia, pois amo a matéria. Seu aconselhamento foi certeiro! Parabéns.

    Quanto a livros introdutórios:
    MURCHO, Desidério. O pequeno livro da filosofia. Kindle.
    WARBURTON, Nigel. O básico da Filosofia. José Olympio. Rio de Janeiro, 2008.
    SPONVILLE, André-Comte. Pequeno tratado das grandes virtudes. Martins Fontes, 2016.

    Felicidades!

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    1. Muito obrigado. Todas as suas sugestões são ótimas leituras. E filosofia é assim né, somos levados por ela!

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  2. Anônimo10:21

    Você pode também fazer o COF curso online de filosofia do Prof. Olavo de Carvalho. Sensacional.

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    1. Realmente existem muitas opções na internet.

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