Angélica Pina Daniel Jahchan

Guerra das raças – A caça aos desertores, de Daniel Jahchan

00:00Angélica Pina


O mundo passa por uma guerra há seis séculos e os seres de todas as raças, sejam humanos, elfos, anões ou orcs, já nascem predestinados a entrarem nas batalhas e lutarem. Muitos já nem sabem pelo que guerreiam, o que realmente importa é que existem dois lados: os angeli e os daemon. Estes já foram aliados e lutaram juntos, mas isso quando existia a Ordem Igualitária das Raças, agora conhecida como Velha Ordem.

Naquela época, os donmen, criaturas com poderes sobrenaturais e muita sabedoria, conseguiram estabelecer a paz e a cooperação entre as raças. Agora, tudo indica que os donmen foram extintos pelos daemon e angeli e a paz só existe no desejo do coração de alguns poucos sonhadores.

Distante do ápice da guerra, há um lugar nas Terras Virgens chamado Vale, mas para chegar até lá é preciso atravessar um grande deserto e uma densa floresta. No Vale, o casal de líderes Aiden e Zara conseguiu criar uma comunidade com pessoas que desejam recomeçar, colocando de lado as diferenças entre as raças e vivendo em harmonia. Eles plantam para se sustentar, dividem as tarefas e funções entre todos e lutam para que se vejam como semelhantes.
Quando uma elfa chega ao Vale sozinha, por ter perdido sua família na perigosa Floresta Virgem, Ikarus, filho de Aiden e Zara, convoca seu amigo Luke e o anão Théo para que possam tentar resgatar os pais de Adele.

Quando estão fora do Vale, lutando contra alguns daemon e descobrindo a verdade sobre a família da elfa, algo ocorre no vilarejo em que moram e o grupo vê sua vida e destino alterados para sempre.

A partir de então, Ikarus, Zia (sua irmãzinha de sete anos) e seus amigos precisam mais do que nunca se vestir de coragem, colocar o pé na estrada e partir atrás de uma solução que coloque fim à guerra. No caminho, algumas descobertas impressionantes e várias informações inesperadas guiarão o grupo na busca de seu objetivo.
“Em alguns momentos, lembravam-se dos pais, fazendo com que a saudade apertasse o peito de cada um, entretanto, estavam aprendendo a lidar com esse sentimento. Trótz havia dito que não era justo que, ao lembrarem-se dos pais, sentissem-se fracos e vulneráveis. Os pais de todos tinham lutado na guerra, eram guerreiros. Ao se lembrarem deles, deviam se sentir mais determinados para lutar. O donmen dizia que os mais fortes extraíam da tristeza a inspiração para a mudança.”

Em seu livro de estreia, Daniel Jahchan mescla fantasia e mitologia nórdica em uma narrativa bem trabalhada e de fácil leitura. Seus personagens são inteligentes e cativantes, fazendo com que a gente torça muito por eles durante a história.
“Foi nesse momento que Ikarus percebeu que não queria vingança, que, na verdade, ele queria o mesmo que seu pai: a paz. A paz traria a justiça como consequência. Para que houvesse paz, todos deveriam se ver como iguais e era isso que o pai tentara implantar no Vale. A igualdade era primordial para que a paz fosse uma realidade.”
Confesso que só senti falta de mais dificuldades no percurso de Ikarus e seu grupo. Na minha opinião, Jahchan foi muito bonzinho em alguns momentos, facilitando o lado dos personagens. Eu esperava que eles fizessem mais escolhas erradas, passassem por mais apertos, que alguns planos não dessem certo... Queria ser surpreendida por reviravoltas complicadas e circunstâncias inesperadas, mas o autor conduziu tudo de uma forma mais “suave”.

Isso não quer dizer que eu não recomendo a leitura, pelo contrário. Quem curte fantasia, certamente irá gostar bastante de Guerra das raças! Especialmente porque essa sensação que tive tem uma boa justificativa (das vantagens de ler autores nacionais e poder debater a obra com o próprio autor!):  o propósito de Daniel Jahchan foi criar um livro mais leve mesmo, para que o público entre 12 e 15 anos possa curtir uma história de magia e fantasia sem descrições complexas demais e possa ir amadurecendo com os personagens durante sua trajetória (que não teve fim nesse primeiro volume).
     

* O livro será lançado pela editora Novo Século durante a Bienal Internacional do Livro de São Paulo, mas o autor disponibilizou a obra antecipadamente para o Universo dos leitores.
“- Você deve se agarrar a um ideal. Se não acreditar no que quer, ninguém irá acreditar. Todas as pessoas boas querem mudar o mundo. Mas é impossível fazer o bem para o mundo sem estar em paz consigo mesmo.”

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1 comentários

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