Séries The Big Bang Theory

The Big Bang Theory e o mundo particular de Sheldon Cooper

11:52Jordan LSF

Uma das séries mais vistas na atualidade na TV estadunidense e na TV a cabo brasileira, The Big Bang Theory  acompanha  a relação de 4 amigos cientistas e sua vizinha sexy tomando como plano de fundo o universo Geek.  A inabilidade nas relações interpessoais, o gosto por tecnologia, as constantes referências aos quadrinhos e a dificuldade dos personagens em se ajustar em um mundo que não seja aquele, fazem com que a série seja a preferência do público de 16 à 30 anos.


                                     

Dentre os personagens da série, Sheldon Cooper (Jim Parsons) é o mais querido entre boa parte dos fãs do programa.  Apesar de dotado de enorme inteligência, Sheldon tem pouca ou nenhuma habilidade social. E mesmo que nunca tenha sido confirmado pelos responsáveis da série, Sheldon apresenta características de um portador da síndrome de Asperger.
                                      
Em entrevista ao site The A.V club, Jim Parsons revela detalhes sobre a pesquisa feita para a criação do personagem.

“Li o livro “Look Me In The Eye” (Olhe-me nos olhos), do irmão de Augusten Burroughs [John Elder Robison], que escreveu sobre sua vida com a síndrome. E foi o máximo de “pesquisa” que fiz a respeito. E, com a leitura, muito boa, por sinal, histórias aplicáveis muito humanas sobre viver com a síndrome, as comparações… não tinha como negar! A maior parte do que li no livro tocava em aspectos do personagem. Pelo que me disseram, parece que Asperger não é algo incomum para pessoas extremamente inteligentes. Ou, como Sheldon, ter aspectos dela. Há muitas pessoas que parecem ficar no limite do nível de gênio que também lidam com uma separação, como na síndrome de Asperger, da vida emocional da forma como nós a conhecemos.

Acho que um dos nossos roteiristas tem um parente que sofre de Asperger. E, como gosto de dizer, creio que muito deste trabalho realmente intelectual que alguém como Sheldon faz, a forma como o cérebro dele funciona, tem um foco tão direcionado a tópicos intelectuais que pensar nele como autista é algo muito fácil de se fazer. O jeito como ele diz “Huh?” e sua reação física e uma situação social e emocional é devido ao fato de ele ser tão focado no que está fazendo. O cérebro dele fica totalmente envolto no que está fazendo no momento.
                                                         
Ainda que apresentada de forma caricata no personagem, a síndrome é uma derivação branda do autismo que ainda não tem suas causas esclarecidas pela comunidade científica, mesmo que estudos em andamento procurem estabelecer a relação com alguma desordem genética.

Diferente do autismo clássico, o portador do agora denominado Transtorno do Espectro Autista, não apresenta retardo cognitivo ou comprometimento intelectual, sendo observado em muitos um QI acima da média. Além da inabilidade social, a peculiaridade na fala e linguagem, o comportamento repetitivo e o interesse exagerado em determinados assuntos (também observados no personagem de Jim Parsons) são outras características observadas no portador da enfermidade que não se limita a exemplos famosos apenas na ficção.

Diagnosticado aos 8 anos de idade como portador da Síndrome de Asperger, Lionel Messi é a prova viva de que a doença, não impede ninguém de brilhar. O jogador do Barcelona,  considerado em quatro oportunidades o melhor jogador do mundo, impressiona com seus gestos repetitivos em campo e seu desconforto em entrevistas ou qualquer outra badalação social. “Autistas estão sempre procurando adotar um padrão e repeti-lo exaustivamente. Messi sempre faz os mesmos movimentos, quase sempre cai pela direita, dribla da mesma forma e frequentemente faz aquele gol de cavadinha, típico dele”, afirma Nilton Vitulli, pai de um portador da síndrome de Asperger e membro atuante da ONG Autismo e Realidade e da rede social Cidadão Saúde, que reúne pais e familiares de “aspergianos”.

A reportagem abaixo exibida pela Rede Globo ilustra um pouco o desconforto do jogador ao dar uma entrevista coletiva.

                                             
Também diagnosticada com Asperger, Temple Grandin revolucionou as técnicas de manejo de gado que ajudaram o desenvolvimento da indústria pecuária estadunidense. Devido a sua enfermidade se afastou das pessoas. Mas chegou a conseguir, entre outras conquistas, seu bacharelado em psicologia, seu mestrado e doutorado em zoologia. Temple é autora do livro "A menina estranha" que conta sua biografia como autista além de ter sido tema do filme homônimo a ela.

                                             
Assim como os exemplos dados acima, Sheldon se conforta em uma mundo apenas seu. É incapaz de interpretar linguagens que não sejam diretas e objetivas (sarcasmo, ironia, metáforas, etc). 

                                                   
É metódico em qualquer atividade rotineira, nutre um interesse absurdo por trens, desconhece o significado de humildade e não tem muita empatia para com seus amigos e namorada.



Arredio e genial, Sheldon Cooper fascina a legião de fãs de The Big Bang Theory com sua excentricidade. Seja pela sua inteligência extraordinária ou pela sua capacidade de dizer aquilo o que pensa sem mensurar as consequências, o personagem de Jim Parsons é fascinante em sua essência. Em suma, o universo Geek de The Big Bang Theory não seria tão vasto sem o mundo particular de Sheldon Cooper. 


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