Crítica Edgard Picolli

"Que rock é esse?", por Edgard Picolli

00:00Universo dos Leitores

“Que rock é esse?”, sempre que ouço alguma música nova que gostei logo me vem essa expressão em mente e são raras as vezes que não corro para descobrir quem é; geralmente anoto alguma parte da letra e jogo no Google mais tarde. Mas confesso, no cenário de música atual são poucos os “rocks” que me instigam uma busca. Entretanto não é só sobre rock que se vive a música (infelizmente), muito menos a música brasileira. E o conceito desse livro é ser quase uma “linha do tempo musical” para quem tem o desejo em conhecer o rock desse país tupiniquim. 

O livro é inspirado no programa homônimo produzido pelo canal Multishow exibido em 13 capítulos e apresentado pelo músico Beto Lee. Dentre tantos “parênteses” que pretendo abrir durante este texto, peço licença a você, leitor, para um dos meus desabafos: Rainha do rock, Rita Lee me concede a mão do seu lindo filho Beto Lee em casamento? Além de lindo (intensifique esse adjetivo) eu ainda iria ser nora, conviver e aprender tudo sobre rock com quem fez parte do grupo que nos libertou “daquela vida vulgar” que vivíamos no Brasil antes do Rock conhecer as cores verde e amarela.
Quem melhor para falar sobre rock brasileiro que seus próprios desbravadores e seguidores? Alguns dos personagens que contam a história do rock brasileiro são, para mim, o “TOP sonho nacional”, e não só na música. Como não morrer de amores e continuar vivendo por Rita Lee? Minha musa inspiradora e rainha. Ou Lobão, um músico, compositor, louco, crítico “especializado” em de tudo um pouco e lindo (me julguem, eu acho). Sem me esquecer do meu sonho de consumo, Dinho Ouro Preto, a esposa que me perdoe, mas eu já sonhei em casar com seu marido (e foram várias vezes). Saindo da música vou para os dois personagens jornalistas da história; o primeiro é Nelson Motta, um ícone do jornalismo cultural. 90% dos jornalistas culturais terão o desejo em “ser como Motta”. Segundo, e não menos importante, Ricardo Cruz, que além de apaixonado por rock e jornalista ele é editor-chefe da revista Rolling Stone Brasil; aqui abro outro parêntese e digo que a única coisa que tenho a informar Ricardo é que no instante que escrevo essas palavras sinto uma invejinha me consumindo, eu me sentiria uma deusa sendo jornalista da sua equipe. Entre os outros depoimentos tem Lulu Santos, Fê Lemos, Frejat, Evandro Mesquita, Samuel Rosa, Edgard Scandurra, Pitty e Gabriel o Pensador. São as gerações contanto sua história.
Durante a leitura eu senti em cada depoimento de Nelson Motta e Rita Lee como deve ter sido difícil fazer música no Brasil. Nos anos 60, o período inicial do livro, ser, por exemplo, os Mutantes e ter a ousadia psicodélica que exigia um frontman do tropicalismo era como enfrentar sem medo o mundo e sua caretice. Como viver os anos 80 com o mercado nacional atento só ao que vinha do exterior. Ou como enfrentar a queda drástica na venda de CD’s que passou os anos 90. Todos os roqueiros ainda ativos no nosso país viveram histórias que vão do sucesso ao fracasso em um piscar de olhos.

Listar o que você mais gosta em um livro por vezes é extremamente difícil, mas nesse consigo dizer sem medo: os depoimentos. Eles fazem parte do primeiro ao último capítulo e dão ritmo a história, eu consegui me sentir parte da mesma. Além de me recordarem de bandas ou ex- integrantes de bandas que eu já não me lembrava, mas que fizeram parte da minha criação musical, mesmo que indiretamente.

Ricardo Cruz e Nelson Motta foram meus professores nesse livro. Motta me ensinou como ser deve ser jornalista, empresário, cineasta e visionário. Ricardo Cruz me ensinou como é sensacional ter minha opinião formada sobre qual meu estilo pessoal de música e saber distinguir bom de ruim (e tudo que ele criticou durante seus depoimentos eu assino embaixo; somos parecidos até nisso).
Como roqueira que sou o que realmente senti falta foram das histórias macabras, das verdades contidas nos bastidores, das loucuras que todo rockstar passa. Essas histórias reais criam um recheio a cada página e principalmente uma espécie de vínculo de confiança com o leitor, que dotado de curiosidade e paixão quer saber as loucuras que seu ídolo viveu nos anos que se passaram. Mas mesmo sem essa “intimidade” explícita, eu consegui fechar os olhos e me perceber dentro daquela música X que ficou em primeiro lugar na rádio fluminense no Rio de Janeiro lá no inicio dos anos 80.

O que não posso deixar de dizer é que o livro retrata todas as vertentes que se criaram do rock com muito respeito, você encontra Hip Hop, pop, rap, pop rock, emocore, hardcore, mangue beat. Certamente se você é fã de algum desses estilos musicais, então encontrará nas páginas de “Que rock é esse?” o nome do seu representante mais importante. 

Minha última confissão dessa resenha é: ao chegar nos anos 2000, única coisa que conseguia pensar ao ler cada frase era “o rock brasileiro está prestes a morrer e eu tratarei de curtir ao máximo todas as bandas que ainda dão o último suspiro para fora desse rio, vou em todos os shows, quero ter muitas histórias para contar ao meu filho daqui alguns bons anos”. Se eu fosse você correria a livraria mais próxima, comprava “Que rock é esse?” e faria sua “confissão”.


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