Contos Crítica

O Sol e o Peixe, de Virginia Woolf

00:00Universo dos Leitores


O Sol e o Peixe, publicado no Brasil em uma edição maravilhosa da Editora Autêntica, reúne nove ensaios da escritora Virginia Woolf e permite que o leitor conheça não só o seu estilo narrativo, como também, e principalmente, a sua alma, a sua intensidade e a sua coragem.

Com uma linguagem quase poética, que encanta ao mesmo tempo em que choca, os ensaios revelam uma mulher madura, crítica, racional, sincera, repleta de vida e de desejos, e uma escritora com um talento ímpar. É possível mergulhar de cabeça nesse livro e só coloca-lo de lado quando ele termina. Mas não se enganem... Mesmo diante de uma leitura fluida e envolvente, você vai querer ler e reler cada uma das páginas para absorver com cuidado e atenção tudo o que elas tem a dizer e todas as reflexões que elas levantam.


"Pois, para além da dificuldade de comunicar aquilo que se é, há a suprema dificuldade de ser aquilo que se é. Esta alma, ou a vida dentro de nós, não combina absolutamente nada com a vida fora de nós. Se temos a coragem de perguntar-lhe o que ela pensa, ela está sempre dizendo o oposto do que outras pessoas dizem."


Divididos em três blocos, cada bloco com três contos, o livro aborda diversos assuntos: crítica literária, função da leitura, sentidos da vida, relação familiar, doença, cinema, pintura etc. É exatamente essa diversidade que torna a obra rica e que contribui para demonstrar o talento de Virginia.

Entre todos os ensaios, sem dúvida dois me encantaram de forma especial: Montaigne e Memórias de uma filha: Leslie Stephen, o filósofo em casa.

Em Montaigne, a escritora fala da relação entre a vida e a escrita, demonstrando o quanto é difícil falar de si mesmo por meio de uma caneta. São tantas passagens marcantes e reflexões inteligentes que eu li o texto três vezes. Eu fiquei presa em todas aquelas palavras e simplesmente não queria deixa-las de lado.

Já em Memórias de uma filha: Leslie Stephen, o filósofo em casa, Virginia discorre sobre a sua relação com o seu pai, um homem como todos os outros, repleto de qualidades e defeitos, de erros e acertos. Ela demonstra com muito amor e muita profundidade que aquele ser imperfeito era, aos seus olhos, o maior exemplo da perfeição.


"Ler o que a gente gostava porque gostava, nunca para fazer de conta que admirava o que a gente não admirava - esta era sua única lição sobre a arte da leitura. Escrever com o mínimo possível de palavras, tão claramente quanto possível, exatamente o que se queria dizer - esta era sua única lição sobre a arte da escrita. O resto devia ser aprendido por própria conta."

Mesmo não listando o ensaio O Sol e o Peixe entre os ensaios que mais me marcaram, eu reconheço a sua importância, a sua grandeza e a sua qualidade. Ao longo do texto, é feita uma análise sobre a influência do nosso olhar e da nossa mente acerca de tudo o que nos rodeia. Um texto rico em metáforas e que termina deixando muitas, muitas perguntas. Uma excelente escolha para encerrar a coletânea!

Sem dúvida uma leitura maravilhosa! Um livro excelente para se ter em casa e para presentear. Uma obra-prima, em uma edição primorosa que faz jus ao seu conteúdo. Como bem colocado por Tomaz Tadeu no texto de apresentação, o livro mostra "a face lírica da romancista Virginia Woolf. Em prosa. Poética."
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