Crítica Dias de Abandono

Dias de Abandono, de Elena Ferrante

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Elena Ferrante ficou conhecida no Brasil pelo livro Amiga Genial, primeiro volume da "Série Napolitana" que conquistou o público de forma ímpar e foi indicado por vários blogs nas listas de melhores leituras do ano de 2015.

Em razão do sucesso da série, cujo segundo volume também já foi publicado, a Editora Globo resolveu nos presentear com o livro Dias de Abandono, que aborda com profundidade e intensidade o sentimento de abandono e rejeição.

Olga, a protagonista da história, foi abandonada pelo marido após 15 anos de casamento. A sua tristeza, que já era enorme desde o dia em que Mário avisou que sairia de casa, se tornou ainda maior quando ela soube que ele tinha outra mulher e estava completamente apaixonado. 

Desolada e sem saber como agir diante do baque, já que apesar de algumas crises comuns a relação entre os dois era aparentemente boa, ela começou a refletir sobre tudo que abriu mão ao longo dos anos e sobre a forma cruel com a qual o marido agiu não apenas com ela, mas também com os filhos.


"A minha tarefa, eu pensava, é mostrar que é possível permanecer sã. Demonstrá-lo a minha mesma, a mais ninguém. Se for exposta aos lagartos, combaterei lagartos. Se for exposta às formigas, combaterei formigas. Se for exposta aos ladrões, combaterei ladrões. Se for exposta a mim mesma, combaterei a mim."
Ao mesmo tempo em que não sentia vontade de fazer nada, Olga precisava descobrir meios de seguir em frente, já que tinha os filhos para cuidar, uma casa para administrar, e um cachorro que só dava trabalho. Acontece que com a perda do equilíbrio, ela não conseguia mais lidar com situações simples do cotidiano como, por exemplo, uma porta estragada, um vômito do filho, a própria sexualidade etc.

A narrativa é muito intensa e aborda de forma angustiante e sincera todos os sentimentos de uma mulher que se sente traída, rejeitada e exausta. É interessante pensar em como um processo de separação, que hoje em dia consideramos tão comum, pode ser tão complicado e doloroso. 


"(...) Que erro, sobretudo, crer que não poderia viver sem ele, quando havia tempo que nada me dava certeza de que estivesse viva com ele. Onde estava sua pele sob os dedos, por exemplo, onde o calor da sua boca?"

O interessante da obra é que mesmo narrada em primeira pessoa, contém uma ótima caracterização de todos os personagens, o que torna a leitura ainda mais envolvente e os nossos sentimentos ainda mais aflorados. 

Sem dúvida esse é mais um livro que revela o talento da autora e a sua capacidade de criar ótimas histórias. A pergunta que continua é: quem é ela, que nunca apareceu e se recusa a dar entrevistas?

Espero que aproveitem a dica! :) 



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