Crítica Editora Record

Menina de vinte, de Sophie Kinsella

00:00Angélica Pina

Lara Lington tem 27 anos e abandonou recentemente seu emprego em marketing para ter seu negócio próprio, uma empresa de caça-talentos, mesmo nunca tendo trabalhado com isso antes. Ela e a amiga Natalie montam a L&N Recrutamentos Executivos, mas a sócia decide fazer uma viagem, conhece um cara e apenas manda uma mensagem pedindo pra Lara cuidar de tudo sozinha até que ela volte.

Como se isso não fosse suficiente, a garota está tentando superar o término de um relacionamento. Josh até mudou o número de telefone para não falar mais com Lara, que já ligou milhares de vezes e deixou inúmeras mensagens, mas ela tem esperança de reencontrá-lo e convencê-lo de que devem reatar.

“Por exemplo, vamos analisar os meus pais. Se eles soubessem a verdade absoluta sobre meu dinheiro/minha vida amorosa/meu encanamento/meu imposto, teriam um ataque cardíaco instantâneo, e o médico perguntaria “Alguém deu alguma notícia chocante a eles?”, e tudo seria culpa minha.”

Em meio a tanta coisa ruim acontecendo em sua vida, seus pais praticamente a obrigam a comparecer no velório de sua tia-avó, Sadie Lancaster, falecida aos 105 anos e que Lara sequer conheceu. Ela vai torcendo para que tudo acabe logo e após passar por momentos chatos e constrangedores com os poucos membros de sua família presentes, Lara começa a ouvir uma voz estridente repetindo sem cansar “Onde está o meu colar?”. Ela percebe que mais ninguém está ouvindo e se afasta, antes que todos a achem louca (ela própria acha que está enlouquecendo) e de repente  vê a dona da voz: uma garota que tem aparentemente sua idade, mas se veste como se estivesse na década de 20. 

Após uma estranha conversa, Lara constata que a garota é o fantasma de sua tia-avó Sadie e que precisa ajudá-la a encontrar seu colar desaparecido para que ela “descanse em paz”.

A partir daí, Lara se envolve em muitas confusões para desvendar o mistério sobre o colar de Sadie. A garota-fantasma tem uma personalidade extremamente forte e faz de tudo para conseguir o que quer, inclusive coisas que só um fantasma conseguiria, como entrar em lugares proibidos e ouvir conversas sem ser percebida.

“É óbvio que só eu seria assombrada pelo fantasma mais esquisito do mundo. Uma hora, está gritando em meu ouvido, na outra, está fazendo comentários, na outra, espionando meus vizinhos... Pego um pouco de lasanha e mastigo com raiva. Pergunto-me o que mais ela viu no apartamento dos vizinhos. Talvez eu pudesse pedir para ela espionar o cara do andar de cima quando ele estiver fazendo barulho, para ver o que ele está fazendo... Espere. Oh, meu Deus. Quase me engasgo com a comida. Sem avisar, uma ideia nova surge em minha cabeça. Um plano brilhante, completamente estruturado. Um plano que vai resolver tudo. Sadie pode espionar Josh.”
Essa foi a primeira história de Sophie Kinsella com um tema “sobrenatural”, resultado de um conselho de alguém que disse que ela deveria escrever uma história sobre fantasmas. Não é um tema que curto, mas escrito por Sophie foi uma das coisas mais engraçadas que já li! Sem dúvidas esse foi o livro dela que mais me fez dar risadas, parecia uma louca rindo sozinha enquanto lia! 

A personagem Sadie é completamente maluca, faz Lara passar muita vergonha, querendo que a sobrinha se vista e se comporte como uma jovem de sua época. 

Apesar disso, ensina lições valiosíssimas sobre amizade e laços familiares, provocando até um nó na garganta e algumas lágrimas em certos momentos. Menina de vinte ocupa lugar de destaque entre meus chick-lits favoritos!

“Se alguém que eu conheço me vir agora, eu morro. Morro. Ao sair do táxi, olho rapidamente para os dois lados da rua. Ninguém à vista, graças a Deus. Nunca fiquei tão ridícula em toda minha vida. É isso o que acontece quando você deixa sua tia-avó morta escolher sua roupa. Estou usando aquele vestido vintage, do qual mal consegui fechar o zíper. Evidentemente as mulheres não tinham seios fartos nos anos 1920. Meus pés estão esmagados dentro do sapato. Seis longos colares de contas estão pendurados em meu pescoço. Ao redor da minha cabeça há uma faixa preta enfeitada com pedras, e uma pena saindo dela. Uma pena.”
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