Crítica Editora Record

Lembra de mim?, de Sophie Kinsella

00:00Angélica Pina

Lexi Smart tem 25 anos, cabelos crespos, dentes tortos, trabalha no departamento de pisos em uma empresa de carpetes e tem um namorado não muito confiável.

Após sofrer um acidente, ela acorda em um hospital sem lembrar-se do que aconteceu e, ao se olhar, não se reconhece: seus dentes são brancos e perfeitos, seus cabelos são sedosos e brilhantes, suas unhas estão impecáveis e seu corpo está mais magro e musculoso. Ela estranha o fato de que seus bens estão guardados dentro de uma bolsa Louis Vuitton caríssima e, ao verificar seus pertences, encontra seu próprio cartão de visita com seu nome seguido pelo cargo de diretora.

Lexi chega a cogitar que está sendo vítima de uma armação, mas o médico explica que ela está sofrendo de uma amnésia pós-traumática. Em sua última lembrança, Lexi estava no ano de 2004, mas ela é informada de que já estão em 2007 e que muita coisa aconteceu em sua vida nos últimos três anos, apesar de ela não se lembrar de exatamente nada.

“Nem consigo abrir os olhos. Estão pesados e presos, como naquela vez em que usei cílios postiços com cola vagabunda e na manhã seguinte, ao entrar no banheiro, encontrei um olho fechado, colado, com o que parecia uma aranha morta em cima. Muito atraente, Lexi. Com cautela, levo a mão ao peito e ouço um farfalhar de lençóis. Não parecem os da minha casa. E há um estranho cheiro de limão no ar, e estou usando um negócio tipo camiseta, de algodão macio, que não reconheço. Onde estou?”
Como se não bastassem tantas surpresas, Lexi é informada de que é casada. Ela mal pode acreditar no que ouve. Quando Eric, seu marido, chega ao hospital para visitá-la, ela percebe que ele é extremamente bonito, além de milionário. Para ela, ele é um completo estranho, mas Lexi decide aproveitar sua sorte e ao receber alta vai para casa com Eric. Quando chega no loft onde morava, ela fica completamente deslumbrada com o luxo do local.

“Tentei manter um ar blasé diante de Eric, mas agora que estou sozinha sinto um choque de empolgação. Nunca pensei que moraria num lugar assim, jamais. Um riso súbito brota em meus lábios. Quero dizer, é loucura. Eu. Neste lugar! Giro de novo, depois começo a dar piruetas, de braços abertos, rindo loucamente. Eu, Lexi Smart, moro aqui neste palácio moderníssimo, que funciona com controle remoto!”

“Enrolo uma toalha nova no corpo e vou chapinhando até o quarto – e recuo para o closet para pegar minhas roupas. Minha nossa. Sei por que os ricos são magros: é de tanto andar nas casas gigantescas o tempo todo. No meu apartamento em Balham eu podia alcançar o guarda-roupa da cama. E a TV. E a torradeira.”
Eric se esforça para ensinar a Lexi tudo sobre o casamento deles. Ele reapresenta seus amigos a ela, que não reconhece ninguém que afirma fazer parte de sua vida. Lexi sente falta de suas amigas antigas, mas elas sequer respondem suas mensagens e ligações. Ela faz de tudo para se adaptar à nova vida e acredita que em breve vai recuperar a memória, mas começa a perceber que nem todas as mudanças ocorridas estão de acordo com seu caráter e seus princípios.

Em meio a muitas trapalhadas de Lexi, que não sabe agir como esposa, muito menos como chefe, vamos descobrindo junto com a personagem como e porquê sua vida se transformou tanto em tão pouco tempo. 

A principal mensagem que o livro transmite é de que nem sempre uma vida aparentemente perfeita é de fato satisfatória e feliz. Como um bom chick-lit, não tem a pretensão de provocar profundas reflexões, mas cumpre plenamente o papel de divertir, distrair e arrancar boas risadas, além do toque romântico e até mesmo de suspense que faz com que a narrativa fique ainda mais gostosa.



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