Andrea Killmore Bom dia

Bom dia, Verônica, de Andrea Killmore

00:00Isabela Lapa


A violência contra a mulher é um tema que precisa ser discutido com atenção, respeito e seriedade. Pesquisas divulgadas com frequência pela mídia mostram que os crimes dessa categoria são cada vez mais comuns, mas que mesmo assim o machismo impera na sociedade e nas instituições, fazendo com que a vergonha ou o medo impeçam as denúncias ou travem as investigações. 

No site Compromisso e Atitude, uma matéria de outubro desse ano diz o seguinte:




"Embora muitos avanços tenham sido alcançados com a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), ainda assim, hoje, contabilizamos 4,8 assassinatos a cada 100 mil mulheres, número que coloca o Brasil no 5º lugar no ranking de países nesse tipo de crime. Segundo o Mapa da Violência 2015, dos 4.762 assassinatos de mulheres registrados em 2013 no Brasil, 50,3% foram cometidos por familiares, sendo que em 33,2% destes casos, o crime foi praticado pelo parceiro ou ex. Essas quase 5 mil mortes representam 13 homicídios femininos diários em 2013."



O UOL, em julho deste ano, também apresentou dados muito relevantes e muito assustadores:


"Os casos de violência contra a mulher no país cresceram 44,74%, em 2015, se comparado ao ano anterior. Dados da Central de Atendimento à Mulher - Ligue 180 indicam que no ano passado foram registradas 76.651 denúncias, ante 52.957, em 2014. Isso representa um caso de violência a cada sete minutos no Brasil, em 2015. As ocorrências específicas de violência sexual --estupro, assédio e exploração-- saltaram 129%, de 1.517 para 3.478 relatos. No país, foram 9,5 estupros por dia."


É exatamente por isso que BOM DIA, VERÔNICA, lançado recentemente pela Editora Darkside Books, é uma leitura obrigatória... Apesar de conter uma narrativa de ficção, a obra aborda com muita profundidade a questão da violência contra a mulher, conferindo destaque à violência psicológica e à atuação preconceituosa da polícia diante das denúncias recebidas.

Verônica, nossa protagonista, trabalha para a Polícia Civil do Estado de São Paulo, no cargo de Secretária do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa. A sua vida, que estava completamente sem graça e pacata, ganha novos rumos quando em uma mesma semana ela presencia o suicídio de uma mulher dentro da Delegacia e, posteriormente, recebe a ligação anônima de outra mulher que diz sentir medo de ser assassinada pelo próprio marido.

"Deitei a cabeça no volante, chorando como não chorava há anos. Lembrei-me de Marta encolhida, indefesa, ao lado da máquina pifada. Lembrei-me de sua boca horrorosa, tomada pela infecção. Lembrei-me dos olhos assustados, da sensação que eu mesma tive de ser desacreditada, ignorada. Ser invisível é uma realidade para muitos. Marta sabia disso. A ferida, o golpe, o exame, a lenda. E lembrei-me da frase... A frase que ela disse antes de se jogar pela janela. Tudo fazia sentido."


Diante do descaso do Carvana, o chefe do departamento, Verônica decide investigar sozinha os dois acontecimentos e, com isso, se coloca diante de diversas situações complexas e muito graves. Enquanto a moça que suicidou foi vítima de um homem desconhecido que usou de "Boa Noite Cinderela" para dopá-la e estuprá-la, a mulher da ligação anônima é vítima constante do marido machista, que oprime todas as suas vontades e faz com que ela lhe ajude a cometer diversos crimes.

Na medida em que investiga os casos e desvenda mistérios que parecem não ter fim, a sua vida pessoal vira de ponta cabeça e ela precisa lutar não só para defender aquelas mulheres esquecidas, como também para defender a própria família.

O interessante é que ao longo da leitura conseguimos perceber claramente que a violência física é grave, mas a psicológica é muito pior, afinal, quando o opressor entra na mente da vítima, ele tem o poder de enfraquecê-la e até mesmo de mudar a sua essência. Talvez isso doa muito mais...

"(...) Quase não havia estatística sobre esse crime, de tão difícil que era uma mulher dar queixa quando era vítima dele."


O livro é instigante e prende a atenção da primeira até a última página, afinal, além do suspense bem amarrado, a obra também choca por descrever de forma tão intensa e tão realista os atos de violência praticados contra as mulheres. É preciso ter em mente que as histórias ali descritas não são reais, contudo, representam a realidade de muitas mulheres esquecidas ou, talvez, invisíveis. 

Se não bastasse tudo isso, o livro também ganha um destaque maior pelo fato de que a escritora é completamente desconhecida! Ao procurar a editora, ela deixou claro que a sua identidade jamais seria revelada, mas que em uma vida que quer esquecer ela já trabalhou para a Polícia e por isso tem muito a contar... 

Incrível é a palavra que define. Comecem JÁ!



*Este livro foi recebido em razão da parceria com a Darkside Books. 
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