de Djamila Ribeiro Destaque

Quem tem medo do feminismo negro? de Djamila Ribeiro

08:36Kellen Pavão



"Quem tem medo do feminismo negro?" reúne uma série de artigos publicados na revista Carta Capital que abordam diversos assuntos como racismo, sexismo, misoginia, e machismo. Considerada uma das vozes mais proeminetes na militância contra o racismo e o sexismo, a filósofa, escritora e acadêmica Djamila Ribeiro narra sua própria história para mostrar como o racismo a impactou e impôs várias barreiras ao longo de sua vida.


"A vontade de ser aceita nesse mundo de padrões eurocêntricos é tanta que você literalmente se machuca para não ser a neguinha do cabelo duro que ninguém quer."

A narrativa é didática as situações vividas pela autora mostram como o racismo está presente no dia a dia de uma mulher negra e como este sistema afeta sua auto-estima e identidade . Em todo o livro Djamila discute temas importantes como representatividade, lugar de fala, a falsa simetria do chamado "racismo reverso" e também questiona o papel do humor - muitas vezes utilizado como ferramenta de dominação para subjugar uma minoria social. 
A sensação de não pertencimento era constante e me machucava, ainda que eu jamais comentasse a respeito. Até que um dia, num processo lento e doloroso, comecei a despertar para o entendimento.

A autora provoca questionamentos importantes e com propriedade de causa, debate a importância do  feminismo negro, partindo do pressuposto de que a mulher negra enfrenta obstáculos ainda maiores do que a mulher branca na luta por direitos. Salienta ainda que o objetivo deste recorte não é dividir o movimento, mas pontuar que existem diferenças nos dois grupos que precisam ser consideradas na batalha diária por igualdade.
Enquanto àquela época mulheres brancas lutavam pelo direito ao voto e ao trabalho, mulheres negras lutavam para ser consideradas pessoas. 

 "Quem tem medo do feminismo negro?" é um livro necessário, escrito por uma mulher negra em um país com uma democracia frágil e um recente passado escravocrata, onde até pouquíssimo tempo o negro era tratado como mercadoria. O reflexo deste passado está presente no nosso dia a dia, no massacre a identidade negra, em nosso vocabulário, na falta de representatividade nas artes e no baixo número de negros em cargos de poder. Toda a sociedade precisa discutir e combater o racismo. 

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